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sábado, 2 de maio de 2026
O IMPARCIAL: vigor graças a Fatos memoráveis e pessoas inesquecíveis de um centenário
O centenário de O Imparcial é mais que uma data comemorativa pelo impacto de um século de existência e persistência. É um dia para mergulhar na nossa própria história, como se fôssemos leitores desafiados a folhear um livro, página a página, no qual somos personagens, enquanto habitantes de um estado, de uma cidade, seja no papel de fontes ou jornalistas. Afinal, o jornal mais antigo em circulação no Maranhão carrega consigo título de patrimônio cultural imaterial do nosso estado, por guardar fatos e fotos, guardar as histórias de lugares e personagens, guardar também as marcas dos profissionais que deram vida a cada capa, cada manchete, cada foto, cada uma das reportagens publicadas.
Impossível esquecer. Nos idos dos anos 90, em meio ao desafio de fazer jornalismo impresso diante dos novos cenários tecnológicos, o caminho encontrado por O Imparcial era ousar na forma de escrever os textos e títulos, numa proposta de humanização dos fatos, uma pitada de emoção. Também era abusar das fotos, que ganharam mais destaque nas páginas, fugindo do tradicional. E até os anúncios saíram do convencional. A mudança veio com dia marcado. No auge das comemorações dos 70 anos, em 06 de junho de 1996, com manchete estampada na capa “Um novo Jornal - Aos 70 anos O Imparcial mostra a sua vitalidade. Renovação constante e eficiente”. O tempo voa e trinta anos se passaram.
Vi e vivi uma época que desafiava os profissionais de O Imparcial a contar histórias, e não apenas informar fatos. A proposta era fazer o leitor se envolver e mergulhar na leitura. Era mais que a letra fria de um título ou um texto, era desdobrar (suitar) as matérias para que se transformassem em enredos a serem acompanhados pelos leitores. Era emoção e comprometimento com causas que ganhavam voz. Títulos como A Fome Dói (Ribamar Praseres) expressavam com força cada situação. O mesmo pode-se dizer da série de reportagens de Robson Paz sobre a bebê Grace Ellen, queimada em uma encubadora de uma maternidade, que ele veio a se tornar padrinho. A editoria de Cidades, a qual eu tive o orgulho de comandar, passou a ser “manchete de jornal”.
Adoção de causas
Dos momentos ímpares que protagonizei guardo a série de reportagens sobre as estradas do Maranhão culminando com a destinação de verbas. Assim, jornalismo impresso é adotar uma causa, é pautar e pautar incansavelmente até que se torne debate público. Guardo também a cobertura do maior casamento comunitário de São Luís na praça Maria Aragão. De doer, foi a matéria publicada em abril de 2002, quando a polícia estourou um cativeiro na Vila Itamar onde crianças estavam em cárcere privado. E caso da família refém, por horas a fio. Embora fosse muito doloroso, aceitaram falar. Foi a manchete do domingo. A partir daquele texto, sentiram-se acolhidos em sua dor. Foi ali que tive a convicção que jornalismo é mais que técnica, é vocação, é responsabilidade, é ética. Não é só um fato a ser relatado. É uma vida.
Também contei histórias da cidade, em matérias como a “A História dos Bairros de São Luís (2005), para minha felicidade fonte de pesquisa até hoje, e “A Serpente vive (2002)”, que foi parar no livro Maranhão Reportagem organizado pelo jornalista Félix Alberto com uma série de outras matérias, boa parte delas de O Imparcial. Como defensora do jornalismo, também pude escrever sobre a nossa profissão. “Da pauta à manchete” foi um convite ao leitor a passear pela produção diária da notícia. “ Sim, senhor leitor – Com a palavra aqueles que são consumidores da notícia (2005)” foi um breve resumo de tudo de nossa profissão. E com a série Memória em Pauta, com as reportagens sobre A Greve de 1979, os Encontros Nacionais do Curso de Comunicação, entre outros temas, deixei minha contribuição para a história da nossa profissão em nossa cidade.
Essa escola de jornalismo que foi, é, e continua sendo O Imparcial, como eu poderia definir, pode ser traduzida e representada pelas históricas capas das editorias e pelas capas do Jornal, assinadas por Célio Sergio, e que ainda hoje revelam a perseverança do jornalismo impresso. Tudo foi retratado. De histórias de vida, a fatos marcantes no mundo, dos ícones do esporte ao papa, dos desafios para a ciência com a Covid aos 200 anos da imprensa no Maranhão.
Entre alguns exemplos estão, dos últimos 10 anos, estão Maria, a salvadora (história das parteiras/2016), Microcefalia - a dura missão de Cleudilene (2016), BR 135 - Trágico (morte de empresário em tragédia anunciada/ 2017), Maldade ou esquizofrenia (o caso Elísio – maio de 2017), Depois do Oceano, um mar de esperança (o sonho de Muctarr Mansaray, refugiado africano no Maranhão/2018), Como não amar - elas já nascem especiais (história de pais que têm essa experiência de vida e seus filhos mais que especiais, como Eva/2019), Maranhão e a umbanda ficam sem Bita do Barão (2019), Lembre do passado, não esqueça o presente (quando os pais viram filhos/2019), Fazemos nosso papel, pensando no seu - fique em casa (2020), Era uma vez, a fadinha que andava de skate (maranhense Raissa Leal conquista Medalha de Prata e coração de todos os brasileiros/2021), São Luís, sua gente, seu patrimônio (2021).
CAPAS, UM CAPÍTULO À PARTE
Registros como “O Conciliador do Maranhão (capa com a imagem de O Conciliador, primeiro jornal a circular no Maranhão, em homenagem ao bicentenário da imprensa no Maranhão e aos profissionais agraciado com comenda Imprensa 200 anos - UFMA/ 2021) nos fazem visitar o passado e reconhecer a importância do jornalismo impresso. Há outros como Elisabeth II - a trajetória da rainha pop (2022), Não existem dois Brasis - Lula 50,9% / Bolsonaro 49,1% (capa com o discurso do presidente eleito transcrito na íntegra / 2022), A gente luta - edição especial com entrevistas e tributos a pessoas negras com histórias de luta e representatividade (2022), Eterno Pelé - Morre Edson Arantes do Nascimento (2022), Os cães e a cuidadora - ninguém olhou Camélia (ossada de cuidadora de animais encontrada junto com os animais/2023), Missão Cumprida - Ana Theresa Carvalhal, aprovada no curso de Medicina da Universidade de São Paulo (USP), em 1º lugar como aluna de escola pública (2025), Franciscus - "O meu túmulo deve ser simples, sem nenhuma decoração especial e conter apenas a inscrição: Franciscus" escreveu o Papa (2024), We have a Pop - Cardeal Robert Prevost é o Papa Leão do "novo mundo” 2025), Kaua, a esperança em vida - o drama das crianças do Quilombo de Bacabal (2026), entre tantos outros.
E, para resumir, uma capa cheia de números, descritos literalmente, para lembrar as mais de mil vidas perdidas pela Covid 19 (julho 2020) é a melhor representatividade de que o centenário de O Imparcial não é apenas um número 100, emblemático por representar um século, mas que cada personagem e cada jornalista, em cada edição, em cada dia, foi uma vida nos capítulos de nossa história.
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